O uso da chupeta é uma prática comum entre bebês, adotada por muitas famílias como uma forma de acalmar e confortar seus filhos.
A chupeta, apesar de ser um objeto aparentemente simples, é frequentemente motivo de debates entre pais, cuidadores e profissionais da saúde, devido aos seus possíveis benefícios e desvantagens.
Para tomar uma decisão informada sobre o uso da chupeta, é importante entender os prós e contras dessa prática.
Neste texto, vamos explorar os principais pontos a serem considerados, com o objetivo de ajudar os pais a fazerem uma escolha adequada para seus filhos.

Os prós do uso da chupeta
1. Efeito calmante
Um dos principais benefícios da chupeta é sua capacidade de acalmar o bebê. Muitos pais relatam que seus filhos ficam mais tranquilos e relaxados ao usarem a chupeta, especialmente em momentos de estresse ou irritação.
O ato de sugar é um reflexo natural dos bebês e está diretamente associado ao conforto.
A chupeta pode, portanto, ajudar a satisfazer essa necessidade, proporcionando um efeito calmante e auxiliando os pequenos a se sentirem mais seguros.
2. Auxílio para o sono
Outro benefício importante da chupeta é sua função de ajudar os bebês a adormecerem.
Muitos pais observam que seus filhos dormem melhor ou mais rápido quando estão com a chupeta, já que o movimento de sucção promove relaxamento.
Além disso, a chupeta pode ajudar os bebês a se autoacalmar no meio da noite, o que pode resultar em noites mais tranquilas para os pais.
3. Prevenção da Síndrome da Morte Súbita Infantil (SMSI)
Diversos estudos sugerem que o uso da chupeta durante o sono está associado a uma menor incidência da Síndrome da Morte Súbita Infantil (SMSI). Embora o mecanismo exato ainda não seja totalmente compreendido, acredita-se que a chupeta possa ajudar a manter as vias aéreas do bebê abertas, além de promover um sono mais leve, o que poderia reduzir o risco de SMSI.
Muitas organizações de saúde, como a Academia Americana de Pediatria, recomendam o uso da chupeta durante o sono, especialmente nos primeiros meses de vida.
4. Redução do desconforto em situações específicas
O uso da chupeta também pode ser útil para reduzir o desconforto dos bebês em determinadas situações, como durante vacinas, procedimentos médicos ou em viagens longas. O ato de sugar pode funcionar como uma distração para o bebê, diminuindo a percepção da dor e proporcionando alívio em momentos que poderiam gerar ansiedade ou incômodo.
5. Facilidade de controle em comparação com o dedo
Alguns bebês têm o hábito de chupar o dedo como uma forma de se acalmar.
Embora esse comportamento também tenha seus benefícios, a chupeta pode ser uma alternativa mais controlável, uma vez que pode ser retirada ou oferecida pelos pais conforme necessário.
O dedo, por outro lado, está sempre disponível, o que pode dificultar o controle do hábito de sucção.
Os contras do uso da chupeta
1. Dependência e dificuldade de retirada
Um dos principais desafios associados ao uso da chupeta é a possibilidade de o bebê desenvolver uma forte dependência desse objeto.
Alguns bebês podem se tornar tão acostumados à chupeta que têm dificuldades para dormir ou se acalmar sem ela.
Quando chega o momento de retirar a chupeta, muitos pais enfrentam grande resistência por parte da criança, o que pode gerar estresse e conflitos familiares.
A transição para uma vida sem chupeta pode ser difícil e exigir paciência e estratégias adequadas.
2. Problemas dentários
O uso prolongado e frequente da chupeta pode estar associado a problemas de desenvolvimento dentário, especialmente se continuar após os 2 a 3 anos de idade.
O ato de sucção pode interferir no alinhamento dos dentes e na formação do palato, o que pode resultar em problemas como mordida aberta, cruzada ou desalinhamento dentário.
Esses problemas podem requerer intervenção ortodôntica no futuro, o que pode ser um fator preocupante para muitos pais.
3. Risco de infecções
Outro ponto negativo relacionado ao uso da chupeta é o aumento do risco de infecções, especialmente infecções de ouvido.
Estudos indicam que bebês que usam chupeta com frequência têm maior probabilidade de desenvolver infecções de ouvido, também conhecidas como otites.
Isso ocorre porque o movimento de sucção pode facilitar a entrada de bactérias na tuba auditiva, aumentando o risco de inflamações.
Além disso, se a chupeta não for devidamente higienizada, ela pode se tornar um veículo para a transmissão de germes, o que pode resultar em infecções gastrointestinais e outras doenças.
4. Interferência na amamentação
O uso precoce da chupeta, especialmente nas primeiras semanas de vida, pode interferir no estabelecimento da amamentação.
Alguns bebês podem desenvolver confusão de bicos, o que significa que eles podem ter dificuldade em alternar entre o seio materno e a chupeta, prejudicando a pega correta e, consequentemente, a amamentação.
Além disso, o uso excessivo da chupeta pode reduzir a frequência de mamadas, o que pode impactar negativamente a produção de leite materno e o ganho de peso do bebê.
Por isso, muitos profissionais de saúde recomendam que a chupeta só seja introduzida após a amamentação estar bem estabelecida.
5. Possível impacto na fala e no desenvolvimento oral
O uso prolongado da chupeta também pode ter efeitos no desenvolvimento da fala e na musculatura oral.
Bebês que passam muito tempo com a chupeta na boca podem ter menos oportunidades de praticar sons e balbucios, o que é fundamental para o desenvolvimento da fala.
Além disso, o uso constante da chupeta pode afetar a musculatura da língua e da boca, interferindo em habilidades motoras orais, como mastigação e deglutição.

Dra Vivian Caldas é pediatra e neonatologista e atende em seu consultório na Barra da Tijuca.
Considerações finais
Decidir se deve ou não oferecer a chupeta ao seu filho é uma escolha pessoal e única para cada família.
Embora existam muitos benefícios associados ao uso da chupeta, como o efeito calmante e a possível prevenção da SMSI, também é importante estar ciente dos potenciais contras, como problemas dentários, infecções e interferências na amamentação.
Se optar por usar a chupeta, é recomendável seguir algumas orientações para minimizar os riscos, como escolher chupetas de silicone e livres de BPA, higienizá-las adequadamente e limitar o uso após os 2 anos de idade. Além disso, é importante estar preparado para o momento de retirada, utilizando estratégias de desmame gradual e sendo paciente com o processo.
Lembre-se de que cada bebê é único, e o mais importante é estar atento às necessidades e comportamentos do seu filho.
Se houver dúvidas ou preocupações, é sempre aconselhável buscar a orientação de um pediatra, que poderá oferecer informações personalizadas e seguras para cada caso.