A coqueluche, também conhecida como tosse comprida ou pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis.
Ela afeta principalmente bebês e crianças pequenas, mas também pode acometer adolescentes e adultos.
Para pais, entender a coqueluche é essencial, pois essa doença pode ser grave, especialmente nos primeiros meses de vida do bebê.
Neste texto, vamos abordar desde os sintomas até a prevenção da coqueluche, para que os pais estejam bem informados sobre como proteger seus filhos.

O que é a coqueluche?
A coqueluche é uma infecção bacteriana que se dissemina principalmente por meio de gotículas de saliva ou secreções nasais de uma pessoa infectada.
Quando alguém infectado tosse ou espirra, essas gotículas podem ser inaladas por outras pessoas, levando à transmissão da bactéria.
Embora a coqueluche possa afetar pessoas de qualquer idade, ela é particularmente perigosa para bebês menores de seis meses, que ainda não completaram a imunização necessária para estarem completamente protegidos.
Em muitos casos, a doença pode levar a complicações graves, como pneumonia e convulsões, e pode ser necessária internação hospitalar.

Dra Vivian Caldas é pediatra e neonatologista no Rio de Janeiro atuando em seu consultório na Barra da Tijuca.
Quais são os sintomas da coqueluche?
Os sintomas da coqueluche costumam aparecer em três estágios diferentes:
1. Fase catarral (primeiras 1-2 semanas): Os sintomas dessa fase são muito semelhantes aos de um resfriado comum.
A criança pode apresentar coriza, espirros, febre leve e tosse leve. Pode apresentar também vômitos após os episódios de tosse.
Nessa fase, a doença é altamente contagiosa, mas os sintomas leves muitas vezes dificultam o diagnóstico.
2. Fase paroxística (2-6 semanas): A tosse piora significativamente e se torna característica.
Ela ocorre em crises, com múltiplas tosses rápidas e seguidas, seguidas por uma inspiração profunda que pode causar um som agudo, conhecido como “guincho”.
Em muitos casos, as crianças podem ficar roxas devido à falta de oxigênio e até vomitar após os episódios de tosse.
Essa fase pode ser extremamente assustadora para os pais, especialmente quando os sintomas são intensos e frequentes.
3. Fase de convalescença (várias semanas ou meses): Durante esta fase, a gravidade dos episódios de tosse diminui gradualmente.
No entanto, os ataques de tosse podem retornar facilmente se a criança contrair outra infecção respiratória durante a recuperação.
Como é feito o diagnóstico da coqueluche?
O diagnóstico da coqueluche pode ser desafiador, especialmente nos estágios iniciais, devido à semelhança dos primeiros sintomas com os de um resfriado.
Quando os sintomas da tosse se tornam mais característicos, os médicos podem suspeitar de coqueluche e solicitar exames laboratoriais para confirmar a presença da bactéria Bordetella pertussis.
Exames de secreção nasal ou de sangue são utilizados para detectar a bactéria.
Em alguns casos, o médico também pode solicitar uma radiografia do tórax, especialmente se houver suspeita de complicações pulmonares.

Como é feito o tratamento da coqueluche?
O tratamento da coqueluche envolve o uso de antibióticos.
Quando administrados nas fases iniciais da doença, os antibióticos podem ajudar a reduzir a gravidade dos sintomas e a duração da infecção, além de diminuir a propagação da doença.
No entanto, na fase paroxística, os antibióticos podem não ter tanto impacto na redução dos sintomas, mas ainda são importantes para limitar a transmissão.
Nos casos mais graves, especialmente em bebês e crianças pequenas, a hospitalização pode ser necessária.
Isso é particularmente comum se a criança tiver dificuldades respiratórias ou estiver desidratada devido aos episódios de tosse e vômito.
Em alguns casos, pode ser necessário o uso de oxigênio suplementar e suporte respiratório para ajudar a criança a respirar adequadamente.

Prevenção: a importância da vacinação
A vacinação é a principal forma de prevenção contra a coqueluche.
No Brasil, a vacina tríplice bacteriana (DTP), que protege contra difteria, tétano e coqueluche, faz parte do calendário de vacinação infantil.
A imunização começa aos dois meses de idade, com doses de reforço administradas ao longo da infância.
A vacina é realizada aos 2,4 e 6 meses e entre 12 e 18 meses, além de uma dose de reforço aos 4 anos.
Para garantir uma proteção adequada, é essencial que os pais sigam o calendário de vacinação recomendado.
Além disso, como os bebês ainda não estão completamente protegidos até receberem todas as doses da vacina, a imunização de quem está ao redor da criança também é crucial.
Isso inclui pais, avós, cuidadores e irmãos mais velhos.
Esse processo é conhecido como “cocooning”, ou seja, criar um casulo de proteção ao redor do bebê, onde todos estão vacinados e, portanto, com menor risco de transmitir a doença.
É importante destacar que, com o tempo, a imunidade conferida pela vacina pode diminuir.
Por isso, reforços da vacina são recomendados para adolescentes e adultos, especialmente mulheres grávidas.
A vacinação durante a gravidez, geralmente administrada no terceiro trimestre, ajuda a proteger o bebê nos primeiros meses de vida, quando ele ainda é muito pequeno para ser vacinado, mas é altamente vulnerável à doença.

O que os pais podem fazer para proteger seus filhos da coqueluche?
Além de seguir rigorosamente o calendário de vacinação, existem outras medidas que os pais podem adotar para proteger seus filhos da coqueluche:
- Higiene das mãos: Incentivar a lavagem regular das mãos com água e sabão, especialmente após tossir ou espirrar, ajuda a prevenir a disseminação de germes.
- Evitar contato com pessoas doentes: Manter o bebê longe de pessoas que apresentam sintomas de doenças respiratórias, como tosse e coriza, é uma medida importante para prevenir a infecção.
- Uso de máscara: Em alguns casos, como em surtos de coqueluche, o uso de máscara pode ser recomendado para prevenir a disseminação da doença.

Dra Vivian Caldas é pediatra e neonatologista, atuando em seu consultório na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro e em UTI neonatal.
Quando procurar atendimento médico?
Se o seu filho começar a apresentar sintomas suspeitos, como crises de tosse intensa ou prolongada, especialmente se forem acompanhadas de dificuldade para respirar, vômito ou cianose (pele roxa ou azul), procure atendimento médico imediatamente.
Bebês com menos de seis meses de idade são especialmente vulneráveis e podem não apresentar o “guincho” típico após os episódios de tosse, mas ainda podem ter dificuldade para respirar ou se alimentar adequadamente.
A coqueluche é uma doença grave, mas amplamente evitável por meio da vacinação.
Para pais, entender a importância da imunização e estar atento aos sintomas é essencial para proteger seus filhos.
Lembrar-se de que a prevenção começa em casa, com medidas simples como seguir o calendário vacinal e manter um ambiente limpo e seguro, pode fazer uma grande diferença na saúde das crianças.
Se houver qualquer suspeita de coqueluche, buscar ajuda médica rapidamente é crucial para garantir o tratamento adequado e evitar complicações mais graves.